sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Lucro da Caixa atinge R$ 1,7 bi no semestre. Bancários cobram valorização


A ciranda financeira favorável aos bancos brasileiros – potencializada pela não aprovação do artigo 192 da Constituição Federal, que regulamenta o sistema bancário nacional – continua gerando lucros bilionários. O exemplo mais recente é o resultado alcançado pela Caixa Econômica no primeiro semestre de 2010. Divulgado nesta quinta-feira (12), o lucro líquido da empresa atingiu R$ 1,7 bilhão, montante 44,1% superior em relação ao mesmo período do ano anterior (R$ 1,158 bilhão).

“Diante desse extraordinário resultado, fruto do esforço dos empregados da Caixa, esperamos que a direção da empresa reconheça o trabalho dos empregados e sua parte no alcance desse desempenho e atenda as reivindicações da pauta da Campanha Nacional 2010, já entregue aos representantes do banco”, cobra Enilson da Silva, diretor do Sindicato e funcionário da Caixa.

No segundo trimestre do ano, a Caixa apresentou ganho de R$ 890 milhões, 14,5% maior que o número do ano passado (R$ 706 milhões). De acordo com comunicado enviado pelo banco, o resultado é fruto de uma expansão de crédito de 50,3% sobre junho do ano passado. O saldo em 31 de junho atingiu R$ 149,2 bilhões. Isso permitiu à instituição um ganho de 2 pontos percentuais de fatia de mercado, fechando o semestre com 9,75% do total do sistema financeiro.

O destaque foi o setor de habitação, responsável por mais de metade da carteira total, que avançou 58% em um ano, para R$ 86,9 bilhões. Com isso, a participação da Caixa em financiamento imobiliário chegou a 75,9% do mercado, um aumento de 3,4 pontos percentuais sobre junho de 2009.

Fonte: Com informações do G1, Valor Online e Reuters

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Bancários questionam venda de apólices de seguro no HSBC pelo caixa eletrônico

Além da venda de títulos de capitalização e seguros de proteção ao crédito, o HSBC irá também investir na venda de apólices de seguros aos clientes por meio do auto-atendimento. A novidade foi anunciada nesta quarta-feira, 11 de agosto, por Fernando Moreira, presidente da HSBC Seguros, ao Jornal Brasil Econômico.

Atualmente, nos casos da contratação de empréstimo pessoal, o serviço é oferecido ao cliente de forma casada. A venda é realizada no terminal de auto-atendimento mesmo sem a sua solicitação, sendo tal prática alvo de denúncias nos órgãos de defesa do consumidor. "É muito temerário contratar um serviço destes pelo caixa eletrônico, pois requer muitas informações e detalhamento de coberturas, o que necessita de um atendimento personalizado", alerta Miguel Pereira, secretário de Organização do Ramo Financeiro da Contraf-CUT.

Outro problema que certamente acontecerá é o aumento no volume de reclamações diante da facilidade da contratação e extrema dificuldade no ressarcimento de sinistros, como já é comum nos casos de apólices de seguro.

Além do seguro ser um custo extra elevado na contratação do financiamento, os clientes reclamam das altas taxas de juros cobradas pelo banco. "O cliente contrata um serviço de garantia ao banco, então porque as taxas são tão altas?", questiona Miguel.

"Portanto, é fundamental que o cliente busque mais informações antes de contratar o serviço, e se possível que tenha orientação de um bancário ou corretor para que não seja prejudicado quando tiver que ser ressarcido", conclui Miguel.

Fonte: Contraf-CUT

TST condena Bradesco a pagar diferenças de promoções por merecimento

Considerando existir omissão do Bradesco em realizar uma avaliação de desempenho anual dos trabalhadores, a Seção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-I) do Tribunal Superior do Trabalho (TST) restabeleceu sentença que havia deferido a uma funcionária do Banco Bradesco o recebimento de diferenças salariais referentes a promoções anuais por merecimento.

O Plano de Cargos e Salário de 1990 do Bradesco havia estabelecido que os trabalhadores obteriam um avanço salarial em seu cargo, a partir de uma prévia avaliação de desempenho realizada anualmente pela empresa.

Com isso, uma trabalhadora propôs ação trabalhista alegando possuir o direito de receber diferenças salariais relacionadas a essas promoções estabelecidas no Plano de Cargos - não efetivadas justamente por omissão da empresa em não realizar as avaliações de desempenho.

O juiz de primeiro grau deferiu o pedido da trabalhadora e condenou a empresa ao pagamento das diferenças salariais decorrentes das promoções anuais. Diante disso, o Bradesco recorreu ao Tribunal Regional da 5ª Região (BA), que reformou a sentença.

Para o TRT, a omissão do empregador quanto às avaliações não levou, necessariamente, a perda do direito a uma função superior ou melhores condições salariais. Para o TRT, a avaliação não traz a certeza de que o trabalhador irá ascender funcionalmente, mas expressa mera expectativa de direito.

Inconformada, a trabalhadora recorreu ao TST. A Quarta Turma, contudo, não conheceu de seu recurso de revista. Novamente, a funcionária recorreu, agora à Seção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-I), por meio de recurso de embargos.

Ao analisar o caso, a SDI-I conheceu do recurso de embargos e concedeu o pedido da trabalhadora. Para o relator, ministro Lelio Bentes Corrêa, a empresa obrigou-se a realizar as avaliações de desempenho, uma vez que se fixou esse requisito para se conceder o avanço salarial.

O relator destacou que o gozo do direito assegurado ficou inviabilizado pela omissão do empregador, presumindo-se, então, implementada a circunstância para receber a promoção, com pertinência ao que estabelece o artigo 129 do Código Civil de 2002 - segundo qual se considera realizada, quanto aos efeitos jurídicos, a condição cujo implemento for maliciosamente obstado pela parte a quem desfavorecer. Para o ministro, não representa um elemento central a questão sobre a maliciosidade da empresa, pois basta a constatação de que o gozo do direito ficou obstado pela omissão da empresa.

Assim, a SDI-I, por maioria, deu provimento ao recurso de embargos da trabalhadora e restabeleceu a sentença que havia deferido as diferenças salariais decorrentes de promoções a que teria direito. (RR-125300-79.2004.5.05.0191-Fase Atual:E-ED)


Fonte: TST

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Bancário do BB é descomissionado no Rio, sofre ataque cardíaco e morre

Com quase trinta anos de trabalho no BB e perto de se aposentar, Luiz Carlos nunca esperava pelo que lhe aconteceu. De gerente administrativo da agência Assembleia, no Rio de Janeiro, foi descomissionado, perdendo a posição de segundo gestor da unidade para retornar ao cargo de escriturário. Além de uma perda salarial importante, o bancário sofreu com a humilhação de ser rebaixado. O motivo: não cumprimento de metas.

A vergonha e os muitos sentimentos negativos foram demais para o coração de 54 anos. O descomissionamento aconteceu numa quinta-feira. O fim de semana foi difícil, com um mal-estar constante. Na segunda-feira o estado de saúde de Luiz Carlos se agravou e, na terça, o bancário veio a falecer, vítima de um ataque cardíaco.

Os colegas ficaram indignados. O assédio moral imposto pelo BB acontece em todos os níveis, em função de metas de venda cada dia mais agressivas. É preciso vender cada vez mais, e os produtos a serem oferecidos são definidos por uma administração central sem considerar as especificidades de cada praça.

Em todo o país, bancários estão sofrendo com esta miopia da direção do banco e têm havido descomissionamentos e até demissões de trabalhadores que ainda estão na fase do estágio probatório. "Temos notícia de que, só este ano, dois concursados foram demitidos. Os descomissioamentos também estão se tornando cada vez mais comuns", relata Carlos Souza, representante do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro na Comissão de Empresa dos Funcionários do BB.

O Sindicato já mobilizou os dirigentes para tratarem do caso de Luiz Carlos. "Estamos prestando nossa solidariedade à família e aos colegas do bancário e não vamos descansar enquanto não identificarmos os responsáveis pelo descomissionamentos", informa o sindicalista.

Uma manifestação está sendo preparada para esta sexta-feira na agência de lotação do trabalhador morto e o coletivo do BB no município solicita a adesão dos trabalhadores do interior do estado. "Pedimos que todos os bancários do BB no estado vistam preto na sexta-feira, em sinal de luto pelo colega. O assédio moral e as decisões arbitrárias acontecem em todo lugar", convoca Carlos.

O sindicalista ressalta que é fundamental a mobilização dos funcionários do banco em todo o país para combater esta situação. Para o dirigente, este é o momento de intensificar a unidade dos trabalhadores do BB, a partir da indignação pela morte de Luiz Carlos.

"Só com a unidade teremos condição de pressionar o banco a dar um basta na violência organizacional que já chegou a matar um funcionário. "Ou o BB para com o assédio moral, as demissões e os descomissionamentos, ou nós paramos o BB no Rio de Janeiro", anuncia.


Fonte: Seeb Rio

Bancários entregam pauta de reivindicações à Fenaban nesta quarta-feira 11


O Comando Nacional dos Bancários entregará nesta quarta-feira 11 a pauta de reivindicações da Campanha 2010 à Fenaban. O encontro será às 11h30 na sede da Federação dos Bancos, em São Paulo.

"Os bancários estão com grande expectativa em relação às negociações deste ano, uma vez que o país está passando por um período de grande crescimento econômico e a situação dos bancos é melhor ainda, como mostram os balanços. É preciso repartir esses ganhos com a sociedade e com os trabalhadores", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT.

A pauta de reivindicações foi aprovada pela 12ª Conferência Nacional dos Bancários, realizada no Rio de Janeiro entre 23 e 25 de julho após um amplo processo democrático de discussão com a categoria. E referendada pelas assembléias dos sindicatos dos bancários de todo o país. Veja as principais reivindicações da Campanha Nacional dos Bancários 2010:

Remuneração e Previdência

- Reajuste salarial de 11% (inflação do período mais 5% de aumento real).

- Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de três salários mais R$ 4 mil para cada funcionário

- Piso salarial no valor do salário mínimo do Dieese (R$ 2.157,88).

- Elevação do auxílio-refeição, cesta-alimentação, 13ª cesta-alimentação e auxílio-creche/babá para o valor de um salário mínimo para cada item

- Previdência Complementar para todos os bancários

Emprego

- Mais contratações

- Ampliar a contratação de mulheres, negros e pessoas com deficiência, garantindo igualdade de oportunidades

- Garantia de emprego

- Reversão das terceirizações

- Qualificação e requalificação profissional


Saúde do Trabalhador

- Fim das metas abusivas

- Combate ao assédio moral

- Prevenção contra os riscos de adoecimentos

- Programa de Reabilitação Profissional em todos os bancos

- Promoção da saúde da mulher

- Assistência médica, hospitalar, odontológica e medicamentosa

- Manutenção de todos os direitos aos afastados por problemas de saúde


Segurança Bancária

- Assistência médica e psicológica às vítimas de assaltos, sequestros ou extorsões

- Ampliação dos equipamento de prevenção

- Adicional de risco de vida de 30% para agências, postos e tesouraria

- Proibição de transporte de valores e guarda das chaves pelos bancários

- Estabilidade provisória para vitimas de assaltos, sequestros e extorsões


Sistema Financeiro

- Regulamentação do artigo 192 da Constituição Federal

- Regulamentação da remuneração dos executivos

- Democratização e ampliação do Conselho Monetário Nacional (CMN)

- Regulamentação do papel social dos bancos

- Fim dos correspondentes bancários

- Fortalecimento dos bancos públicos

Fonte: Contraf-CUT

quinta-feira, 6 de maio de 2010

FETEC e Sindicato lançam a Campanha “Menos Metas, Mais Saúde”



O assédio moral e metas abusivas são velhos conhecidos dos bancários. Os trabalhadores da categoria figuram entre os que mais sofrem com o adoecimento por transtornos mentais causados principalmente pela pressão diária para o cumprimento de metas individuais.

Opine sobre as metas em seu banco (ao lado) e comente este post (abaixo)

Para mudar essa realidade, os Sindicatos filiados à Federação dos Bancários da CUT (Fetec), estão lançando a Campanha “Menos Metas, Mais Saúde”.

Durante a Campanha, será distribuído aos bancários uma cartilha de esclarecimento sobre a questão das metas.

O movimento sindical tem por objetivo o fim das metas abusivas e proposta com embasamento nos debates, conferências, pesquisas e consultas feitas junto aos trabalhadores.

No ano de 2008, foram registrados 747,7 mil acidentes do trabalho. Na distribuição por setor de atividade econômica, o setor de serviços - onde estão incluídos os bancários - respondeu por 50% do total de acidentes do trabalho. De acordo com informação da Previdência Social, os subsetores "atividades financeiras e de seguros" responderam por 12,8% do total das doenças relacionadas com o trabalho.

Em 2009, os bancários responderam a uma consulta onde 69% dos que opinaram definiram debater as metas abusivas como demanda principal.

"O bancário hoje sofre com metas inalcançáveis e o tema é algo complexo. As metas estão diretamente relacionadas à questão do assédio moral, da saúde, da geração de emprego e da individualidade das pessoas; e que é fruto da concorrência dos bancos e das reestruturações ocorridas ao longo dos anos. Além de reivindicarmos o fim das metas abusivas, a campanha servirá como forma de denunciar os bancos, além de alertar e incentivar outras categorias que sofrem com o mesmo problema”. – comenta Paulo Santos Mendonça, presidente do Sindicato.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Itaú Unibanco discrimina e demite bancária homossexual


O Itaú Unibanco mostrou mais uma vez ter uma política de recursos humanos que discrimina e persegue os homossexuais. No último dia 26, o gerente geral da agência Campo Grande, César Ribeiro, demitiu a agente comercial Márcia Cristina Tomé Líbano, alguns meses após saber que ela tinha uma companheira. Antes, porém, chamou-a para seguidas “conversas reservadas” em que ficou clara uma absurda discriminação e invasão de privacidade. Numa delas, em dezembro do ano passado, disse ter tomado conhecimento de que a bancária tinha uma relação homossexual. Em janeiro, quis saber se, nesta relação, ela era “o homem ou a mulher”.

Márcia não respondeu, mas sentiu-se revoltada com o assédio e a intromissão em assuntos pessoais, já que ao gerente cabia, apenas, discutir questões profissionais e não às relativas à intimidade de seus subordinados. Mas a pressão não parou por aí. Ela revelou que, em março, Ribeiro a convocou para uma nova conversa em que perguntou por que Márcia movimentava valores acima do seu salário na conta corrente. Márcia questionou a atitude, mas Ribeiro afirmou que, como gerente, tinha o direito de entrar na conta da funcionária sem configurar quebra de sigilo. Márcia explicou que a conta tinha aqueles valores porque recebia depósitos de sua companheira e era usada para pagar as despesas do casal.

Mais assédio

Apesar das explicações, o gerente insinuou que “talvez” ela fosse “convocada pela Inspetoria do banco” para esclarecer os motivos da movimentação, o que se confirmou no início de abril. À Inspetoria Márcia deu as mesmas explicações e recebeu a informação de que o gerente tinha o direito de ter acesso à conta do funcionário, caso ele estivesse endividado, o que não era o caso. A Inspetoria acrescentou que foi o próprio Ribeiro quem pediu a convocação da bancária.

Mais uma vez Márcia passou pelo constrangimento de ter de falar sobre sua relação pessoal a um estranho para explicar a movimentação da conta. A Inspetoria pediu que ela escrevesse uma carta relatando o caso para ser encaminhada ao superintendente da região, Wagner Dionísio. Era uma quinta-feira, 1º de abril. Nada ficou provado contra ela. Mesmo assim, no dia 26, Márcia foi demitida sumariamente. O comunicado de dispensa não trouxe o motivo. O gerente alegou ter sido por “contenção de despesa”.

Revolta na agência

Mais uma prova de que o Itaú Unibanco agiu de forma discriminatória ao demitir a bancária, foi que a resposta ao pedido feito por Márcia de inclusão de sua companheira no plano de saúde foi sendo postergada, com solicitações de envio de cada vez mais documentos, até ela ser desligada do banco.

A demissão de Márcia causou comoção em toda a agência, pela truculência e o desrespeito e porque ela era muito querida por todos. Causou mais revolta, ainda, porque foi imposta por um gerente acusado de assediar os funcionários, inclusive, as mulheres, sexualmente. Cesar Ribeiro chegou a instituir o prêmio destaque do mês que consistia em um almoço com ele. Em um caso emblemático de desumanidade, proibiu que qualquer um da agência acompanhasse ao hospital o bancário Patrick José, que estava enfartando devido às seguidas cobranças do gerente.

Sindicato exige reintegração

Para o Sindicato, este caso é uma comprovação da homofobia, que é crime, por parte do Itaú Unibanco. “Vamos exigir o cancelamento da demissão. Não dá para admitir que o Itaú faça discurso de que possui compromisso social e tenha capatazes que tratam bancários e bancárias desta maneira”, afirmou o diretor do Sindicato Ronald Carvalhosa. E avisou: “Ou reintegra a bancária ou ficará claro que a homofobia deste gerente é uma política institucional da empresa”.

Fonte: Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro